domingo, 16 de maio de 2010

O Chato

[necessário enfatizar a chatisse de reproduzir por escrito um adendo da versão ao vivo mais famosa dessa música]

"Todos os personagens sobre os quais escrevi, hoje são fantasmas que me habitam, que olham pra mim pensando: 'eu sou você amanhã, e ontem' como se estivessem num castelo aqui, um castelo psíquico todos me olhando, escrevi sempre sobre o patético humano, o nosso ridículo eterno...Nós temos a impressão pela igreja católica, de que temos o pecado original, mas temos mais temos o RIDÍCULO ORIGINAL!
Essa nossa cara de quem vai tropeçar a qualquer momento na frente da namorada!
Escrevi sobre personagens que tem esse patético acentuado...Representantes disso: A Bailarina Gorda! O Vampiro doidão que detestava sangue, era bonzinho...O gago que queria ser locutor de corrida de cavalo: 'a-a-ten-tenção va-vai senta na saída, a-ten-ten-tenção chega, não' Ainda não saia, hahaha! O rei do mal humor Valfrido Paranóico, Montenegro desajeitado...João Ciumento...e todos eu identifico, são todas pessoas que eu posso dar o nome, e eu fiz pra essa pessoa, Beto e Cláudia existem, esse eu não posso denunciar pra quem fiz, porque a canção se chama: O Chato.
(...)
Segundo Millor fernandes: 'o chato é aquele cara que conta tudo tim-tim por tim-tim, depois ainda entra em detalhes'
Gent...É preciso perdoar o chato! O Chato não tem defeito grave, ele é bem intencionado. Ele só confunde as coisas, ele acredita, ele tem uma ingenuidade pereeeene!
'Cê fala pro chato: 'Como vai?' Ele responde. Gente, 'como vai' quer dizer 'oi', não é pra responder. Ninguém quer saber como você vai...'como é que vai?'...'Oi!'
Fala pro cara, aparece lá em casa, ele aparece. Porr...
Derruba o copo, na hora que vai paquerar a menina, derruba o whisky awoowrrrrblorrww[onomatopéia de oswaldão!]

Mas é preciso perdoá-lo..." (...)



Ah, todo chato é bonzinho
Nunca nos faz nenhum mal
Ah, todo chato é calminho
Como se faltasse sal
Ah, todo chato te conta
Aonde passou o Natal
E sempre te da um dica
De onde ir no carnaval
Ah, todo chato cutuca
Pra você prestar atenção
Chama cabeça de cuca
E arranha um violão
Diz que inventou uma música
E toca as seiscentas que fez
E quando você abre a boca e boceja
Ele toca tudinho outra vez
Ah, todo chato é gosmento
mas não há como evitar
Eu sou um chato e meu Deus não me agüento
Só me tacando no mar

(Oswaldo Montenegro)


http://www.youtube.com/watch?v=a0J_kEeqCFA

domingo, 9 de maio de 2010

É numa dessas que a gente volta a perceber como a vida é supérflua, rápida e surpreendente.


Desejo paz a alma de uma pessoa muito especial e querida também que se foi deste mundo esta semana, e que por conta dos infortúnios da vida, eu não tive oportunidade de me despedir.
Um beijo Ju, tenho certeza que vc está num lugar melhor que este.

domingo, 11 de abril de 2010

ultimamente tenho andado ou com uma incréivel falta de criatividade, pra escrever qualquer das besteiras que escrevo neste blog. Ou completamente preguiçosa de abrí-lo pra escrever etc etc. Ou passando por uma fase de transição, onde não vejo importância alguma deste blog na minha vida.


Ou todas essas coisas juntas, sei lá.

domingo, 21 de março de 2010

Neste domingo eu tive a felicidade de presenciar uma cena simples, mas que mexeu comigo profundamente:

Estava voltando pra casa, passei numa lanchonete de orientais já aqui em Irajá, daquele tipo que os cariocas costumam chamar de "China".

Estava um grupo de três solitários bebendo cerveja no China: dois homens e uma mulher. O que me fez pensar sobre aquele monte de coisa da vida atual, onde as pessoas cada vez mais solitárias passam suas vidas a procura de algo a completá-las, pois creem nesta vida feliz pra sempre ficcional mostrada nos principais meios de comunicação etc etc. Quando, não se para pra refletir sobre o que é realmente necessário pra vida de cada um, e não tentando se enquadrar no esquema de ser humano completo e feliz que encontramos nas histórias de contos de fadas, ou em outros roteiros mais modernos...

Enfim, eles já estavam bêbados, quando eu sentei, pedi um salgado. Um dos homens pediu ao atendente (que provavelmente era chinês mesmo por conta da decoração da lanchonete, mas nem todos são chineses): "China, põe aquela música da tua terra pra gente dançar!"
Assim, o "China" levanta um pano atrás dele que escondia um rádio bem moderninho, liga-o, põe um cd, e quando a musica começa a tocar, naquele estilo oriental bem dissonante, os três começam a gargalhar...

Achei que o "China" se ofenderia quando no mesmo instante ele dá risada também. Um dos homens levanta abre os braços, e pede ao "china"(que estava atrás do balcão) que ele levantasse pra dançar com ele.

Tudo assim bem espontâneo tanto os sorrisos quanto o pedido.

Nisso a mulher do "china" que estava no balcão em silêncio só observando, fica de pé rindo também, aponta pra mulher que ta do lado de um dos homens, e fala pra ele dançar com ela, aponta pro "china" e diz: "ele não hahaha, ela sim ó!"

...e assim é a vida de domingo.

segunda-feira, 1 de março de 2010

falando de música...

Gosto muito de música ponto

porém sinto que as vezes exagero um tanto no quesito "diferente" pra me conquistar...

Nunca fui lá muito chegada, ao que se tem de mais de pop no cenário, não é nada muito elitista/babaquinha do tipo "ahh eu conheço as bandas mais obscuras do cenário underground da Cracóvia e tenho orgulho disto." Nem é assim, sabe. Mas sejamos sinceros, música pop é ótima pra dançar, mas simplesmente tem músicas e artistas que parecem tudo a mesma coisa, a mesma fórmula, e são verdadeiros chicletes. Aí vc faz, incoscientemente, um set list que fica a semana inteira na sua cabeça nos momentos mais impróprios por sinal. Bem naquela hora que vc busca concentração pra ler o maldito texto da aula do dia seguinte, ou naquele momento que vc ta sozinho dentro do onibus sem nada pra entreter, aí passa-se 40 minutos e vc continua com a mesma música que vc pensou no início da viagem... simplesmente torturante... assim defino a música pop. E mesmo assim não deixo de ser uma apreciadora, mas diferente das bandas do cenário underground da Cracóvia, eu não procuro esse tipo de música, elas que me acham nas festas, nas MPBfm, e nos Youtubes da vida... sinto que é roubada, mas mesmo assim não deixo de ouvir.


Só to escrevendo isso tudo, pra falar realmente das bandas que eu procuro, ou procurei ao longo da minha vida de fone no ouvido...

As vezes sinto medo, do tipo quase horror de pesadelos e tudo sabe, pelas bandas que descubro / ouço e me encanto (não necessariamente nessa ordem). E me deu uma vontade de falar disso hoje, pois mais cedo fiz um download de uma banda chamada Fan Death, já faz tempo que conheci uma música delas no canal da U-mag no yt. e já tinha ficado meio assustada com o clip, apesar de belíssimo, visualmente falando, não adianta: eu sou muito cagona, e desconfio bastante de bandas que gravam clipes em cemitério e coisa e tal, mesmo sendo de dia... e também fico passadinha quando não entendo de primeira o que a banda quis dizer no enredo do clipe (esse por sinal) já batem aquelas neuras de mensagens ocultas, ou nonsense que assusta à la roteiros de Harmone Korine e/ou amigos.

Aí, hoje de manhã, antes da minha internet começar de viadagem, revi o clip, relembrei de um monte de coisa e quando o download terminou, abri o arquivo e fui olhar a capa do disco:

(se liga na mulher segurando a máscara, com cara de caveira, atrás de uma meio índia meio virgem maria, porra assim é foda, né?)

Fala sério, me pergunto: por que gostar dessas coisas que vão me fazer ter um sono menos tranquilo?

depois do sustinho inicial, resolvi vasculhar internet a fora sobre a dupla mais freak que conheço (fiquei tanto na dúvida de qual foto escolher, por isso tem um monte) elas nem são do leste europeu ou do cu de qualquer aldeia dessas que geram humanos, esquisitos, sem lincença antropológica!

São frutos do epicentro da nossa bendita sociedade capitalista ocidental: sim, estadunidenses!!!

(eu disse dupla, e realmente Cocorosie é uma dupla, a imagem dobrada é da Sierra pra aclimatar o ambiente...)

Agora como não se encantar por criaturas como elas??

(detalhe da calça sexy!)


Apesar de todos os pesadelos gerados pelo preço da esquisitice, elas me fazem pensar que é possível sair do mais do mesmo, acreditar na música, e ainda provam que ser bizarro tem seu encanto, com linceça antropológica.


beijo Fan Death, beijo Cocorosie, beijo freaks of nature...

domingo, 24 de janeiro de 2010

primeiras palavras para 2010

É, não sei como ficará daqui pra frente, ainda não postei nada neste ano, e acho que chegou a hora de falar um pouco por aqui...
Na verdade, essa coisa de ano novo é mais simbólico do que qualquer coisa, acredito bastante que quando a gente pega um calendário novo pra usar, isso dá uma revigorada nas forças, cria novas esperanças / expectativas, e traz toda uma energia positiva... Sim acredito nessas coisas, mas acaba que os dias passam e a gente percebe que as mudanças não são tão simples como arrancar mais um dezembro passado e pendurar um janeiro novo, as mudanças são mais invisíveis, mais lentas, e principalmente: não caem do céu, mas é claro agindo, elas ocorrem!
Mesmo me confundindo mais ainda relendo o parágrafo anterior, preciso dizer algo que tenho falado constantemente com minhas amigas: esse ano começou de uma maneira tão positiva, que estava até um pouco assustada de como as coisas estão dando tão certo, pra mim, e pros meus melhores amigos... E aí, já pertinho do fim do primeiro mês, a perrengada começa a aparecer, lembrando que as férias continuam mas a vida já ta de volta pertubando nosso descanso.
Porém, é tratar de aproveitar da melhor maneira possível o inicio dos 21, que por sinal é uma idade bastante significativa pra mim, quando pequena fazia muitos planos de mudanças radicais pra serem postos em prática aos 21, e hoje ainda me sinto um pouco com 12 anos e descobri que essa coisa de planejamento pra muito muito distante é mó furada! =]
Sinto também que algumas dessas mudanças radicais estão muito próximas de se concretizarem, espero que logo, por sinal, e nada mais de grandes expectativas, os planos vão se construindo ao longo da vida, só tenho um grande plano, mas esse ainda não quero contar...
Bem 2010 vai fluir pra todos nós!

Vale até uma trilha pra 2010, em homenagem as pessoas mais queridas(inspiremo-nos e quebremos a rotina!)
http://www.youtube.com/watch?v=0eFQYwqO-4g

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Festa Surpresa

Ela morava em uma casa de quatro andares, além do subsolo, junto com toda sua família, composta por três ou quatro irmãos (um menino ainda criança e três irmãs mais velhas entre 17 e 25 anos) todos bastante parecidos com ela.Eu nunca tinha ido lá, e recebi um convite para passar o dia com ela, e levar todos os meus amigos. Chamo todos eles, e todos vão, mas estou com os olhos ofuscados, não sei se é a luz ou os efeitos da bebida, por um ou por outro, não consigo enxergar bem de jeito nenhum, e isto causa uma agonia sem fim, misturada a ansiedade do encontro. Chegamos ao local, entramos e toda aquela neblina confunde meu sentido, comprimento alguém pensando ser ela, e recebo um ácido "quem é você?" pergunto: "cadê ela?" "ah então é isso que ta acontecendo, ela escondeu da mamãe que iria ter festa em casa, espere minha mãe saber disto..." e subiu as escadas espiraladas acima, numa velocidade e agilidade impressionantes.

Então decidimos segui-la, no segundo andar, três quartos enormes: o primeiro, uma TV com um videogame esperando ser ligada, e pilhas de jogos ao lado. Foi nesse que ficamos, pois o quarto era enorme, além dessa primeira parte, tinha uma cama de casal ao fundo separada por uma cortina. Não quisemos saber o que havia nos outros dois. Então após algumas tentativas frustradas de jogar videogame, deixo a diversão para meus amigos e saio do quarto. Fico sentada no degrau da escada,quando ela abre a porta do terceiro quarto, o último antes do vão da próxima escada espiralada, e para completar grita: "Surpresa!” Levanto, vou até a porta do quarto encostamos nossos rostos, sinto cheiro de gordura de óleo, quando percebo que dentro do quarto há uma enorme mesa de salgadinhos, e doces, ao lado de duas geladeiras, daquele modelo de bar, com bebidas para todos os gostos. Ela avisa as pessoas no primeiro quarto, e todos parecem satisfeitos com a mesa de comida, as bebidas e o vídeogame, e ficam nesse vai-e-vem entre os dois quartos. Eu ainda não, mesmo depois de descobrir que ela tinha armado uma festa surpresa de aniversário pra mim dentro de casa e sem autorização da mãe, que inclusive nesse momento passa pela gente, me olha como se fosse um monstro. Na verdade, ela que é um monstro, uma mulher baixinha, com cabelo grisalho, liso, preso na altura da nuca, e que se alonga um pouco até a metade da cintura, usa uma saia longa e veste uma bata branca encardida de mangas longas, parece mais uma bruxa do medievo que qualquer outra coisa, é difícil de acreditar que é mãe dela. Ouço a mãe dizer: "seu pai, não vai gostar nada disso, sua irmã foi avisá-lo, e ele esta no quarto." "no quarto do quarto, ou no quarto do terceiro?" "no do quarto, certamente." Não entendi o que isto poderia significar, estava entrando num estágio mais letárgico, pensando no que poderia me acontecer, se aquela mulher horrenda já tinha cismado comigo, o pai fatalmente também tomaria partido da história, e não seria jamais pro nosso lado. Mas ela vem ao meu encontro, estava sentada no degrau da escada, me leva então pro quarto do terceiro. O único quarto do andar. Abre a porta, e parece que lá é um mundo a parte, quando passo pela porta minha visão regressa a normalidade aos poucos, ficamos ali conversando deitadas em outra cama, enorme por sinal. Ela de cabeça pra baixo, quando um dos convidados entra no quarto, e pergunta se pode ficar com a gente ali. Peço pra ele se acomodar a melhor maneira, e ela pede pra ele se acomodar de modo a nos esconder da porta de entrada, já demos a mão há horas, e há horas que falamos com o rosto a menos de dez centímetros de distância. Ela põe um dedo em meus lábios, e no momento que me aproximo para beijá-la, o "agora não" soa tarde demais em meus ouvidos. Foi o único beijo, pra porta se abrir e nos flagrarem fazendo nada demais, no meu ponto de vista. Mas estavam espiando, desconfiando e aguardando o momento certo para terem provas do que fazíamos. A mãe dela só faltou derrubar a porta, entrou no quarto e a mandou pra cima, conversar com o pai, que na minha cabeça já virou um semideus com poderes controladores do tempo e espaço, e capaz de acabar com vidas humanas com um estalar de dedos. Não sei o que lhe aconteceu.

Levanto após o susto, ela não olha pra trás corre escada acima, e junto com meu amigo, corremos quarto afora. Quando piso no corredor pra descer correndo, minha visão ofusca novamente nada vejo, caio da escada e dou de cara com as pessoas. Meus convidados a essa altura comendo como loucos toda a mesa de salgadinhos e doces, percebo que sinto uma fome profunda, e fico em dúvida se paro pra comer ou corro pra me salvar. Fico em pé em frente à mesa, após alguns empurrões, agarro quantas mini coxinhas consigo, envolvo na blusa, e saio correndo pra fugir dali. Nessa hora ouço ruídos e conversas, mas não entendo uma palavra que as pessoas falam, meu amigo que estava no quarto, está atrás de mim, é o único que eu acho que sabe o que está acontecendo e o único que vem me ajudar, quando chego a frente da última escada. Ela está parada no meio, sobe me olha e esbraveja: "nunca mais olha pra mim!" Não entendo o porque de tanto ódio. "sua mãe é louca, e você ta indo na pilha dela? Vai pirar igual a ela, e não quero presenciar isto mesmo não." Neste momento as irmãs passam em conjunto todas olham com cara de reprovação para ela, e uma cospe na cara do meu amigo. Meu amigo devolve o cuspe, me puxa e descemos correndo. Lá fora tudo está branco, não consigo identificar um objeto sequer. Volto pra dentro, e no fim da escada encontro de volta com ela. Ela me olha, me beija na testa, fala que meus olhos estão muito avermelhados, e que ninguém tem culpa de nada.